Corria pela rua. Feito um louco, sem rumo, procurava mas não sabia o que...
Algo lhe faltava e isso o enlouquecia. Olhava por todos os lados. Conversava com todos os que encontrava e ainda assim sua necessidade não era suprida.
Até que, beirando a exaustão, contemplou aquela imagem. Simples, pouco atraente. Muitos haviam dito para que ele não se aproximasse, pois era instrumento de dor.
Porém para ele, representou algo tão sublime que o rumou mais alguns passos em sua direção. Olhou de perto.
Uma cruz enorme, imponente e vazia. Tal visão tocou-lhe a ponto de dobrar-se, colocando joelhos em terra diante àquele monumento. Sobreveio então a presença, o encaixe perfeito ao seu vazio. Sua falta fora suprida.
Suprida por quem padeceu em cruz, porém, lá não ficou. O preço foi pago, a acusação retirada.
Através da cruz, a que diziam de dores - e de fato o é - veio também quem a sofreu e a venceu. Chegava então o sonhado alivio, não das dores desta terra mas dores vindouras. Ele chegou aos pés da cruz e o Cristo que suportou a cruz se chegou a ele.
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